Antoine de Saint-Exupéry

Tarfaya_Saint-Exupery

Fotografia de Yaroslav Blanter.

Monumento ao piloto e escritor francês Antoine de Saint-Exupéry em Tarfaya (Cabo Judy), Marrocos, uma das escalas da empresa Aéropostale, para a qual trabalhou o piloto.

 

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Quarteira

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Fotógrafo: Artur Pastor. «Quarteira» , décadas de 40/50.

Dicas para ler mais e melhor

A lista de de justificativas que as pessoas dão para não lerem não costuma variar muito. É um misto de falta de tempo e de dificuldade de concentração. Há, também, a famosa preguiça. Mas essa não recebe tanto crédito. Mas existem algumas coisas que você pode fazer para incorporar a leitura ao seu dia a dia. E algumas […]

via Dicas para ler mais e melhor — Toska Produções

Momento político-económico

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O momento político-económico assinala-se pelo trabalho dos gestores de empresas portuguesas em colocá-las a jeito para serem adquiridas pelo capital chinês, no todo ou em parte. É um grande esforço patriótico. (Patriotismo? Bahhh! Não está na moda). Os clubes de futebol, todos eles muito bem geridos, também começam a ser alvo do capital chinês (à semelhança do que acontece em Inglaterra e outros países europeus. Viva a União Europeia de Funcionários Bem Pagos!) O Aves e o Tondela já foram fisgados (provavelmente, haverá outros), pelo que ouvi dizer a quem sabe do assunto. Será que o Bruno Carvalho também está a colocar o clube a jeito para ser adquirido por um imperador chinês? (E eles são tantos.) A TAP vai muito bem com os brasileiros, mas já começam a pedir ao governo que injecte uns milhares de euros na coisa. Bom, cambada jovem, preparem-se para aprender mandarim e servirem os vossos futuros amos de olhos em bico. Já aqui tivemos o Império Romano a dar ordens, o Muçulmano, o Espanhol, agora vem aí o Chinês. Para não falar do Império Alemão e Americano que estão em todo o lado, democraticamente.

Mas o que é que isso interessa? Sai uma bejeca e uma bifana aqui para a mesa do canto.

Mau tempo no canal

(Para assinalar o 40.º aniversário da morte de Vitorino Nemésio, ocorrido este ano, deixo aqui a abertura da sua obra emblemática «Mau tempo no canal».)


— Mas não voltas tão cedo…

João Garcia garantiu que sim, que voltava.

Os olhos de Margarida tinham um lume evasivo, de esperança que serve a sua hora. Eram fundos e azuis debaixo de arcadas fortes. Baixou-os um instante e tornou:

— Quem sabe…?

— Demoro-me pouco… palavra! Cursos de milicianos… Moeda fraca! Para a infantaria, três meses. Se não fecharem os concursos para secretários-gerais, então aproveito. Bem sei que há só três vagas e mais de cem bacharéis à boa vida… Mas não tenho medo das provas. Bastam algumas semanas para me preparar a fundo… rever a legislação.

Entrava em pormenores. Margarida ouvia-o agora vagamente distraída, de cabeça voltada às nuvens, como quem tem uma coisa que incomoda no pescoço, um mau jeito. O cabelo, um pouco solto, ficava com toda a luz da lâmpada defronte, de maneira que a testa reflectia o vaivém da sombra ao vento.

Estavam quase ao alcance da respiração um do outro: ela debruçada num muro de pedra de lava; ele na rampa de terra que bordava a estrada ali larga, acabando com a fita de quintarolas que vinha das Angústias até quase ao fim do Pasteleiro e dava ao trote dos cavalos das vitórias da Horta um bater surdo, encaixado.

Vitorino Nemésio in «Mau tempo no canal»

O fio das missangas, de Mia Couto

“A vida é um colar. Eu dou o fio, as mulheres dão as missangas. São sempre tantas, as missangas…”

via O fio das missangas, de Mia Couto — Degrau de Letras